Música velha

Escutei nossa música de novo. Agora mesmo. Fazia mais de um ano que os versos melódicos nem passavam pela minha cabeça, coisa que antes era automática. Bastava acordar que as palavras doces dançavam para mim, para nós. Engraçado mesmo foi eu ter me dado conta da falta de falta que a falta da música fez. Lembrei por acaso e a coloquei a tocar, para ver quais sensações despertariam e, com um tanto de surpresa e um pouco de descaso, não é que não senti nada? Nada, nadinha. Nem mesmo quando chegou o refrão, em que me sentia tão perto de você. Esqueci como é ter tuas mãos entrelaçadas nas minhas, brincando com as dobrinhas da pele. Tentei de novo. Apertei o play e prestei um pouco mais de atenção. A letra veio naturalmente.  Alguns errinhos, mas o principal estava lá, escondido em alguma gaveta empoeirada do coração. “I swear I won’t forget you/Oh If my voice could reach back through the past/I’d whisper in your ear/Oh darling I wish you were here”. Não vou te esquecer e não quero que você me esqueça. Mas será que ainda consegue nos ouvir nos versos da melodia? Eu não.

Receita de inventar histórias

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Inventar uma história é como viajar. Uma viagem em que não se sabe muito bem de onde se parte nem para onde se vai. É como entrar em um trem e se deparar com uma garota, sentada sozinha admirando a paisagem. Quem é ela? Perguntas correm pela cabeça em direção aos dedos. Coloque um pouco de curiosidade e já se pode ver uma história crescer.

A cada frase: um susto, um sorriso. A porta se abre. O coração acelera. É um homem que se senta em frente à garota. Nervos em colapso. Pode ser um vil assassino, um pai amoroso ou quem sabe um amante secreto. A dúvida sempre acrescenta um gostinho especial.

Às vezes, é possível escolher milimetricamente os ingredientes. Em outras se usa mesmo os itens esquecidos na despensa. Umas memórias gastas, sentimentos confusos ou mesmo aquela imagem curiosa de um programa da TV. O que importa mesmo é a dedicação ao preparo. Boas histórias precisam ser mexidas até que os acontecimentos soltem da panela.

Dizem os bons contadores de histórias que o sangue de quem cria é o segredo de uma boa receita. Não precisa ser uma xícara, algumas gotas bastam. Aquecer o forno antes dos acontecimentos elementais, também é importante. Uma troca de olhares furtivos. Pronto, somos jogados na atmosfera de tensão.

Ouve-se um grito no vagão adiante. Os estranhos se aproximam e se questionam assustados. Daqui para frente, a história corre, cresce disforme até alcançar a forma perfeita no final. O que nem sempre acontece, é verdade. No entanto, o divertido mesmo, é ver as reações que uma boa história desperta nos que experimentam um pequeno pedaço.

Antes que eu esqueça

met you

Voltei ao lugar em que você esteve comigo. Lembra da noite estrelada, do ar fresco de primavera e da atmosfera inebriante que nos envolvia em aura?

Olho para o mesmo ambiente e procuro algum sinal. A intenção é me prender às lembranças e impedir que a sensação do teu olhar sobre mim vá embora. A luz fraca é a mesma. Copos cheios. Copos vazios. Gente que nem conhece a gente. Eu. Você não está aqui.